Blog Antônio

Por uma agenda estratégica de desenvolvimento do Piauí – II

  - Economista, ex-Secretário Planejamento dos Estados do Tocantins/Piauí e atual Diretor da Agência de Fomento do Estado do Tocantins.

Economista, ex-Secretário Planejamento dos Estados do Tocantins/Piauí e atual Diretor da Agência de Fomento do Estado do Tocantins.

 

A proposta de plano estratégico a que nos referimos no artigo anterior apresentava como condições essenciais ao desenvolvimento sustentável do Piauí: a Reforma do Estado, de modo a viabilizar recursos para financiar investimentos; o chamado “choque de educação”, para erradicar o analfabetismo e promover a melhoria do nível educacional da população em todos os segmentos (fundamental, médio e superior), bem como a capacitação técnica para o trabalho; e a complementação da infraestrutura de transportes, energia e comunicações.

Os avanços obtidos ao longo dos últimos 15 anos não foram suficientes para mudar o estágio de desenvolvimento e a sua posição no ranking dos estados brasileiros. O Piauí continua com os piores indicadores socioeconômicos do país e do Nordeste e com um vergonhoso índice de pessoas na faixa de extrema pobreza, e ainda, é o Estado campeão do programa bolsa família.

Como já dissemos anteriormente, a população piauiense clama por um plano estratégico de desenvolvimento de médio e longo prazo, pois como ensinou o grande filósofo Sêneca há mais de 2000 anos atrás, “se o homem não sabe para que porto está navegando, nenhum vento lhe é favorável”. Entretanto, qualquer estratégia que vier a ser adotada não pode deixar de considerar os seguintes aspectos, além dos já mencionados anteriormente (que constituem pré-requisitos aos demais):

O planejamento do aproveitamento dos cerrados, considerando a logística de transportes, a geração de emprego e renda, a industrialização, a comercialização e a conservação do meio ambiente e levando-se em conta o estigma causado pelas exportações de produtos in natura, que nada acrescenta ao estado e à nossa população;

A participação efetiva no Plano de Desenvolvimento  Agropecuário do MATOPIBA, em termos de investimentos, logística, incentivos, desenvolvimento tecnológico e inovação e capacitação profissional, competindo em igualdade de condições com os outros estados;
A revitalização do Rio Parnaíba e a viabilização da Hidrovia, com vistas a mais uma alternativa de conexão com os Portos de Pecém (Ceará) e Itaquí (Maranhão), através do sistema ferroviário, com vistas ao aumento da competitividade das exportações;

A reconstrução da Ferrovia Altos - Luíz Correia, como incentivo ao turismo e como contribuição para a viabilização do Porto marítimo;

Elaboração e implementação de um programa estadual de irrigação, aproveitando as barragens, os rios e o lençol freático existente, para viabilizar pelo menos duas safras por ano;

Atenção especial à saúde e ao saneamento básico, bem como à assistência social.

Pode e deve ser a hora e a vez do Piauí mudar a sua performance   no processo de desenvolvimento, que tem sido até agora apenas tendencial, para um ritmo mais dinâmico, que provoque, inclusive,  um ponto de inflexão na curva de crescimento do Produto Interno Bruto e do PIB per capita, com o aproveitamento racional dos cerrados, como ocorreu, aliás,  há mais de 10 anos em outros estados como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que têm a mesma vocação econômica do Sudoeste Piauiense (Agropecuária).

Para isso deve-se implantar urgentemente o plano de logística de transportes do Estado, não só para direcionar os investimentos públicos, mas, sobretudo para orientar os investidores privados na melhor localização de seus investimentos; implantar um audacioso plano de industrialização, com incentivos fiscais e econômicos, para agregar valores às exportações e gerar emprego e renda para a população piauiense.

Continuo otimista em relação às grandes potencialidades do Piauí, mas é preciso pressionar os Governos, a classe empresarial e a população sobre a necessidade dessas mudanças.

ÚLTIMAS POSTAGENS EM Antônio

COPYRIGHT © 2015 TUDOECONOMICO.COM | TODOS OS DIREITOS RESERVADOS