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Por uma agenda consistente de desenvolvimento do Piauí

  - Economista, ex-Secretário Planejamento dos Estados do Tocantins/Piauí e atual Diretor da Agência de Fomento do Estado do Tocantins.

Economista, ex-Secretário Planejamento dos Estados do Tocantins/Piauí e atual Diretor da Agência de Fomento do Estado do Tocantins.

 

Infelizmente continuamos sem uma Visão Estratégica de Médio e Longo Prazo, pois o “Piauí que Queremos”, consubstanciado no PPA 2012/2015, não avança na questão da definição dos rumos que se deve seguir e nos objetivos que devem ser atingidos para se alcançar o desenvolvimento sustentável, reduzindo a eterna dependência de recursos federais que tem caracterizado as administrações do Estado nas últimas décadas.

No final da década de 90, quando coordenamos a elaboração da primeira proposta de plano estratégico do Estado, com a participação da sociedade e particularmente das classes empresariais, elaboramos uma série de 15 artigos denominada “O Piauí na Virada do Século”, na qual ressaltávamos naquela época a falta dessa visão estratégica, que, aliás,  foi proposta no plano a que nos referimos acima (e que será objeto de um próximo artigo), bem como  o histórico atraso no processo de desenvolvimento, em comparação com outros estados,  o que sempre fez com que o Piauí perdesse ao logo de sua história inúmeras oportunidades de participação nas iniciativas que foram decisivas no desenvolvimento de outras Unidades da
Federação, no contexto econômico e social do país.

O exemplo mais recente é o aproveitamento dos cerrados, que em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Maranhão os frutos já vêm sendo colhidos há mais de duas décadas, atraindo investidores e modernizando o agronegócio, gerando emprego e renda e atraindo investimentos públicos e privados, e o Piauí só agora desperta, muito mais pela procura de oportunidades dos emigrantes do sul do país, cujo pioneirismo se repete independentemente da ação do Poder Público,  do que propriamente pela iniciativa governamental, que novamente é atropelada pela falta de planejamento.

Outro aspecto que ressaltamos, como condição essencial para o desenvolvimento era o enxugamento da máquina administrativa, mediante a redução das despesas de pessoal e encargos e de custeio e o estabelecimento de cotas para cada um dos Poderes, a fim de viabilizar  a formação de uma poupança mínima para investimentos e contrapartidas – veja que fomos precursores da importante Lei de Responsabilidade Fiscal, editada em 2001. Com essa lei houve uma melhoria significativa das finanças públicas em todos os níveis, mas não o suficiente para gerar a capacidade de investimentos no nosso Estado, que continua patinando sobre uma enorme folha de pagamento, que cresce a cada dia, sem poder governar para a grande maioria de piauienses que não recebe salário do estado e não tem acesso à saúde, à educação e à segurança.

Talvez uma saída pelo menos para o Sul do Estado seria a retomada do processo de criação do Estado do Gurguéia, com uma administração enxuta, limitando-se o número de Secretarias, de Desembargadores, de Conselheiros e de Deputados e estabelecendo-se durante os dez primeiros anos limites rígidos para despesas de custeio. O velho Piauí seria obrigado a reduzir os seus gastos como consequência da diminuição da receita, tendo aí uma belíssima oportunidade de acabar com os feudos instalados ao longo de anos e que só prejuízo tem causado à nossa população. Continuamos em breve com mensagens mais otimistas.

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