Coluna por Antônio José Guerra

Por uma agenda estratégica de desenvolvimento do Piauí - III

  - Economista, ex-Secretário Planejamento dos Estados do Tocantins/Piauí e atual Diretor da Agência de Fomento do Estado do Tocantins.

Economista, ex-Secretário Planejamento dos Estados do Tocantins/Piauí e atual Diretor da Agência de Fomento do Estado do Tocantins.

Por Antônio José Guerra

Continuando a série de artigos sobre a importância de uma estratégia de desenvolvimento do Piauí, que começou com um alerta sobre a necessidade de estabelecermos políticas de estado de caráter permanente que sirvam de referência aos governos, no curto, médio e longo prazo, com diretrizes que direcionem os investimentos públicos e privados no rumo das transformações necessárias a um Estado desenvolvido com sustentabilidade, vamos propor agora o que pode ser o início de um processo de planejamento dos cerrados piauienses.

Chamamos a atenção anteriormente sobre a importância de elevarmos o nível educacional da população, não só para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, mas para garantir mão de obra às novas empresas que estão se instalando na região, e, sobretudo, para que a população possa participar efetivamente do processo de desenvolvimento do Estado, com suas opiniões, atitudes, palavras e votos.

Outro aspecto ressaltado diz respeito à urgência de colocarmos em prática o plano de logística de transportes, para direcionar os investimentos públicos e privados e orientar os empresários na melhor localização de seus empreendimentos.

 Agora, para ser coerente com a crítica sobre a ausência de planejamento, estamos propondo uma iniciativa que deveria ser do governo do estado, mas que poderia ser liderada pela classe empresarial, que seria a elaboração e discussão de um Plano Integrado de Desenvolvimento da Região dos Cerrados Piauienses, para ser acoplado, se for o caso, ao Plano de Desenvolvimento do MATOPIPA, que contemple, dentre outros, os seguintes aspectos e etapas:  

1. Elaboração de termo de referência do trabalho;

2. Negociação de recursos para financiar despesas de consultoria e  outros serviços, como mobilização da sociedade, divulgação, impressão de documentos,  realização de reuniões, seminários, eventos;

3. Elaboração do documento preliminar para discussão, contendo as seguintes informações:

a. Caracterização da Região, envolvendo aspectos físicos, demográficos, recursos naturais, área ocupada, reservas legais, áreas produtivas ou com potencial de produção, zoneamento, se houver, municípios e microrregiões que a integram, dentre outros;

b. Diagnóstico econômico, social e ambiental, caracterizando os principais problemas e carências que impedem ou dificultam o desenvolvimento da região, bem como o potencial e outros pontos fortes, que uma vez fortalecidos podem impulsionar o progresso regional;

c. Definição dos objetivos e metas a serem alcançadas e os meios necessários à sua concretização;

d. Proposição das prioridades, etapas e cronograma de implementação, incluindo logística de transportes, energia, comunicações e outras;

e. Estimativa do orçamento dos investimentos prioritários a serem realizados, com a previsão das possíveis fontes de recursos a serem mobilizadas para o seu financiamento;

f. Mecanismos e instrumentos de execução do plano, inclusive o arranjo institucional, bem como de acompanhamento e avaliação dos seus resultados.

4. Realização de reuniões de trabalho em cada uma das Microrregiões para discussão da proposta, envolvendo empresários, governos estadual e municipais, trabalhadores e população em geral;

5. Elaboração da Proposta Consolidada do Plano Integrado de Desenvolvimento da Região dos Cerrados Piauienses;

6. Realização do Seminário Geral para discussão da Proposta, a ser realizado em Bom Jesus, com a presença do mesmo público das reuniões de trabalho e mais as autoridades federais, estaduais e municipais;

7. Elaboração do Plano, compatibilizando-o com os demais instrumentos de planejamento dos níveis federal, macrorregional, estadual e municipal;

8. Apresentação do Plano nas dependências do Congresso Nacional e nas Confederações da Agricultura e da Indústria, com ampla divulgação do mesmo, com o objetivo de mostrar as necessidades de investimentos e as oportunidades de negócios, convidando na oportunidade, além dos Parlamentares, órgãos e entidades federais,  as Representações Diplomáticas e os Organismos Internacionais de Fomento como o Banco Mundial, o BID e outros.

Esse Plano, devidamente legitimado pela sociedade, servirá de instrumento de negociação de recursos para financiar os investimentos necessários ao desenvolvimento sustentável da Região. Voltaremos ao assunto no próximo artigo.

Fonte: Tudo Econômico

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